quarta-feira, 12 de agosto de 2026

 ÍNDICE

Apresentação ........................................ ___ Prefácio — O silêncio entre os versos ............... ___ Como ler este livro ................................. ___

Porta 1 — Mu O vazio que não é nada, mas é tudo ............. ___ Porta 2 — Impermanência (Mujō) Tudo passa, e é isso que dá valor ............... ___ Porta 3 — Aqui e Agora O instante sem antes nem depois ................. ___ Porta 4 — A Natureza como Mestra Wabi-sabi, a beleza do incompleto ............... ___ Porta 5 — Não-dualidade Quando o eu e o outro deixam de se separar ...... ___ Porta 6 — O Caminho sem Chegada (Dō) A prática que nunca termina ..................... ___ Porta 7 — A Mente do Principiante Ver de novo o que já se viu mil vezes ........... ___ Porta 8 — Silêncio O que o haicai não diz .......................... ___

Epílogo — Depois da porta, o mercado ................ ___ Sobre o Autor ........................................ ___


NOTA PARA DIAGRAMAÇÃO: preencher as páginas (___) depois de fechado o layout final no Canva. A ordem acima já reflete a sequência definitiva do conteúdo — apresentação, prefácio, como ler, oito portas (cada uma com sua introdução seguida dos haicais comentados), epílogo e sobre o autor.

 HAICAIS E O ZEN

==================================================== APRESENTAÇÃO

Este livro nasce de um reconhecimento, não de uma invenção. Os haicais reunidos aqui já existiam antes de qualquer intenção de aproximá-los do zen, escritos ao longo de anos, sobre instantes de vida, natureza, tempo e silêncio. Ao reler esse conjunto com outros olhos, tornou-se claro que muitos desses versos já carregavam, sem que isso fosse buscado de propósito, a mesma sensibilidade que atravessa a tradição zen há mais de oitocentos anos: a atenção ao instante presente, a aceitação do que passa, a desconfiança em relação a explicações fechadas.

Por isso este não é um livro que tenta provar que seus haicais são zen. É um livro que os deixa em companhia dessa tradição, para ver o que se ilumina no encontro. Alguns versos vão revelar conexões que nem o próprio autor havia percebido antes de perguntarem a ele. Outros, percebidos de perto, mostrarão pertencer a um território diferente, mais próximo do afeto entre duas pessoas do que da meditação sobre a existência, e esses foram deixados de fora, com o mesmo respeito que se dá a qualquer poema que já sabe, sozinho, a que lugar pertence.

O leitor está prestes a atravessar oito portas. Nenhuma delas precisa ser aberta na ordem em que aparece.

==================================================== PREFÁCIO O silêncio entre os versos

O haicai não nasceu como técnica. Nasceu como prática. Antes de Bashō escrever os versos que hoje conhecemos como sua obra maior, ele já se sentava, já caminhava, já observava o mundo com o mesmo tipo de atenção que os monges zen chamam de presença plena. A forma breve do haicai, dezessete sílabas, um corte, um instante, não é um estilo escolhido por economia. É o resultado natural de uma mente que aprendeu a não acrescentar mais do que o necessário.

Por isso este livro não precisa construir uma ponte entre dois mundos distantes, como aconteceu em outros volumes desta coleção. A ponte já existe. Estava lá antes de qualquer comentário, antes de qualquer livro. O que se pretende aqui é simplesmente deixar essa proximidade mais visível, sem transformá-la em explicação.

O zen desconfia de explicações. Um mestre que respondesse toda pergunta com clareza total teria, de algum modo, traído o próprio caminho. Por isso alguns haicais, neste livro, não recebem comentário nenhum. Não é descuido. É reconhecimento de que certos versos já dizem tudo o que precisam dizer, e qualquer palavra a mais seria ruído.

Ao longo das páginas, uma presença discreta atravessa o livro: um buscador, quase sempre visto de longe, que se aproxima aos poucos de um mosteiro nas montanhas. Ele não fala. Não explica o que sente. Apenas aparece, uma vez em cada capítulo, um pouco mais perto do silêncio que buscava desde o início. Talvez, ao final, o leitor perceba que essa jornada não é dele, é de qualquer um que já tenha sentido, por um instante, vontade de parar de explicar o mundo e simplesmente olhar para ele.

==================================================== COMO LER ESTE LIVRO

Não há pressa aqui. Cada haicai pode ser lido em poucos segundos, mas nada impede que o leitor permaneça diante dele por mais tempo do que isso, deixando que o silêncio ao redor do poema também fale.

Os comentários que acompanham a maioria dos versos não pretendem explicar o haicai. Pretendem apenas acompanhá-lo por um instante, oferecendo uma porta de entrada possível, entre tantas outras que o próprio leitor poderá encontrar sozinho. Quando um haicai aparece sem comentário, isso não é ausência. É convite.

O livro está organizado em oito portas, não oito capítulos no sentido comum. Uma porta se atravessa, não se estuda. Cada uma delas recebe um punhado de haicais e, por vezes, uma referência a Dōgen, a Bashō, a Ryōkan ou a algum kōan clássico, sempre como companhia, nunca como veredito.

==================================================== PORTA 1 — MU O vazio que não é nada, mas é tudo

Mu é uma das palavras mais citadas e menos compreendidas do zen. Não significa simplesmente "nada", no sentido de ausência ou negação. No célebre kōan em que um monge pergunta ao mestre Jōshū se um cachorro possui natureza búdica, a resposta é apenas "Mu". Não é sim, não é não. É uma palavra que se recusa a entrar na lógica binária da pergunta, e que por isso mesmo abre um espaço onde nenhuma resposta fechada poderia caber.

Os haicais desta porta não tentam definir esse vazio. Apenas se aproximam dele, cada um à sua maneira, como quem se aproxima de uma sala escura sem pressa de acender a luz.

Ele chega ao portão. Ainda não entra.


Uma pedra lançada / Em ondas no lago / No silêncio afundava

A pedra desaparece, mas antes disso produz ondas, e as ondas também desaparecem. O que resta, ao final, não é o objeto nem o movimento que ele causou. É o silêncio que já estava lá antes da pedra cair, e que continua lá depois.

Dōgen escreveu que praticar o caminho é esquecer o eu, e esquecer o eu é ser confirmado por todas as coisas. A pedra que afunda não luta contra a água. Apenas se deixa atravessar por ela até desaparecer.


É e não é / A água transborda / No espelho do lago

O poema já nomeia, no primeiro verso, exatamente o que o mu recusa: a certeza de que algo é isto ou é aquilo. A água transborda e ao mesmo tempo reflete, existe como substância e como imagem, e o poema não escolhe entre as duas coisas.

Não é preciso resolver esse paradoxo para que o haicai funcione. No zen, alguns kōans permanecem décadas sem resposta na vida de quem os pratica, e isso não é fracasso, é o próprio exercício.


Busque dentro / A todo momento / O firmamento

Buscar o firmamento dentro de si pode soar, à primeira vista, como um exagero poético. Mas é justamente esse tipo de inversão que o zen cultiva: o que parecia estar lá fora, imenso e inatingível, pode ser encontrado, com igual imensidão, no espaço mais próximo que existe.


Escuta o teu silêncio / Descansa na sombra / Viaje no seu espelho

Um haicai que se lê quase como instrução de prática. Escutar o próprio silêncio, descansar na sombra em vez de temê-la, viajar através do próprio reflexo em vez de se prender a ele. Não há necessidade de comentário adicional aqui. O poema já ensina o que se propõe a ensinar.


Saiba ver / Sombras e luz / Em você

(sem comentário)


Sinto sem o ver / Revela o invisível / O elemento ser

Há um tipo de conhecimento que não passa pelos olhos. O poema não tenta provar sua existência, apenas a registra. Ryōkan, que viveu boa parte da vida em extrema simplicidade, escreveu que sua única herança era um coração aberto. O "elemento ser" deste haicai talvez seja precisamente isso: aquilo que continua existindo mesmo quando não há nada visível para comprová-lo.

==================================================== PORTA 2 — IMPERMANÊNCIA (MUJŌ) Tudo passa, e é isso que dá valor

Mujō é talvez o conceito zen mais próximo da experiência cotidiana de qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo. As flores de cerejeira, tão celebradas no Japão, não são admiradas apesar de caírem depois de poucos dias. São admiradas exatamente por isso. A beleza que dura é uma beleza qualquer. A beleza que passa, e que sabemos que vai passar enquanto a observamos, carrega um peso que nenhuma permanência poderia oferecer.

Esta porta reúne os haicais mais voltados ao tempo: a infância que já não volta, a promessa esquecida, a sensação de que um instante durou mais do que deveria. Nenhum deles tenta deter o tempo. Todos, de um jeito ou de outro, aprendem a se despedir dele.

Ele atravessa o portão. O jardim está vazio, mas ele para diante de uma única folha caindo.


Do tempo de criança / Guardo na lembrança / O rio de água mansa

Uma memória de infância, suave como o próprio rio que a representa. Não há conflito nesse poema, apenas permanência dentro da impermanência: algo que ficou guardado mesmo sabendo que o rio, lá fora, já não é mais o mesmo rio de então. Heráclito dizia que ninguém se banha duas vezes no mesmo rio; o zen apenas acrescenta que também quem se banha já não é o mesmo.


O sino tocou / Tempo de criança / De si lembrou

Um som é suficiente para atravessar os anos e trazer de volta uma versão mais jovem de quem o escuta. Nos mosteiros zen, o sino marca as horas de prática, mas também, sem intenção alguma, pode se tornar a porta de uma lembrança inteira. O sino não muda. Quem o escuta, sim.


O que ficou pra trás / Vai vendo e vivendo / O tempo não desfaz

Ao contrário da ideia comum de que o tempo apaga, o poema afirma o oposto: o que ficou para trás continua sendo visto e vivido. A impermanência, no zen, não significa que nada teve valor. Significa que o valor de algo não depende de sua permanência.


Quando passou / Tive a sensação / Que o tempo parou

Existem instantes tão intensos que parecem suspender o próprio relógio. O poema não explica esse instante, apenas registra a sensação. Talvez seja essa uma das poucas exceções em que o tempo, mesmo impermanente, se deixa esquecer por um segundo inteiro.


Já é setembro / E as juras que fiz / Já nem lembro

O poema revela a fragilidade não só da memória, mas da própria vontade humana. Prometemos, em determinado momento, aquilo que depois não conseguimos sustentar. Não há culpa nesse esquecimento, apenas mais uma prova de que tudo, inclusive a promessa mais sincera, está sujeito à mesma lei que rege as folhas e os rios.


Se era novembro? / De muitos sonhos / Uns nem lembro

A pergunta inicial já mostra que a memória não é um arquivo perfeito. Datas se confundem, sonhos desaparecem, algumas experiências permanecem apenas como sensação. Talvez esquecer também seja parte do caminho, e não sua falha.


Solidão e sal / O rastro no tempo / O sol é real

Três substantivos secos, sem verbo que os amarre: solidão, rastro, sol. O poema não constrói uma cena, apenas deposita três presenças lado a lado e deixa que o leitor sinta o peso de cada uma sem que nenhuma explique a outra.


Ver o tempo / Enquanto no tempo / Ainda há tempo

O poema brinca com a repetição da palavra "tempo" para produzir uma sensação de urgência silenciosa, sem drama. Enquanto se está dentro dele, ainda existe a possibilidade de simplesmente vê-lo passar, em vez de apenas ser levado por ele.


Corre devagar / Quando no tempo / Está a esperar

A espera altera a percepção do tempo. Quando se aguarda algo, os minutos parecem maiores. O poema transforma essa sensação comum em um pequeno paradoxo que qualquer praticante de zazen reconhece: sentar-se imóvel é, ao mesmo tempo, a coisa mais rápida e mais lenta que existe.

==================================================== PORTA 3 — AQUI E AGORA O instante sem antes nem depois

Se a impermanência ensina que tudo passa, esta porta ensina o que fazer com isso: permanecer no instante que ainda não passou. É a lição mais repetida do zen e, ao mesmo tempo, a mais difícil de sustentar por mais de alguns segundos seguidos. A mente humana prefere o passado, que já conhece, ou o futuro, que pode imaginar do jeito que quiser. O presente não oferece esse conforto. Só oferece o que realmente está acontecendo.

Ele senta no primeiro degrau da escadaria de pedra. Não sobe. Ainda não é hora.


Chegou na hora / É diferente aqui / O tempo lá fora

O poema separa dois tempos: o de dentro e o de fora. Não é apenas uma observação sobre fusos ou relógios, é a constatação de que existe uma qualidade de tempo que só se experimenta quando se está inteiramente presente em algum lugar, diferente do tempo apressado que continua correndo do lado de fora da porta.


Logo amanhece / Mas o momento / Ainda adormece

Um instante suspenso entre o que já começou e o que ainda não despertou de vez. O poema não força a passagem. Deixa o momento continuar meio adormecido, sem pressa de virar outra coisa.


Agora é a hora / De manhã vem o sol / E a lua demora

Duas presenças que não competem, apenas se revezam em seu próprio tempo. O sol chega, a lua demora a sair, e o poema não cobra pressa de nenhuma das duas. "Agora é a hora" não é urgência. É apenas reconhecimento de que este é o momento que existe.


Haicai é momento / Um estalo de luz / No pensamento

Este haicai fala de si mesmo, e por isso funciona quase como uma definição para toda a porta. O "estalo" sugere uma compreensão que acontece rapidamente, antes que possa ser explicada. É exatamente esse tipo de instante que zazen, a meditação sentada, tenta cultivar: não produzir o estalo, apenas estar suficientemente quieto para percebê-lo quando ele chegar.

==================================================== PORTA 4 — A NATUREZA COMO MESTRA Wabi-sabi, a beleza do incompleto

Wabi-sabi é a estética que encontra beleza no imperfeito, no efêmero e no incompleto. Uma tigela rachada e remendada com ouro, em vez de descartada. Um jardim de musgo que nunca é podado até a simetria perfeita. A natureza, para o zen, não é cenário: é professora, e ensina justamente aquilo que a perfeição não consegue ensinar, porque a perfeição não precisa de ninguém para observá-la.

Os haicais desta porta olham para o mar, o rio, o céu, sem tentar torná-los símbolos de outra coisa. Eles já são, por si mesmos, o próprio ensinamento.

Ele encontra um jardim de pedras, sem uma única flor. Fica ali mais tempo do que pretendia.


Canoa chora / Na lama que rola / No rio afora

A canoa presa na lama, incapaz de seguir seu curso natural, ganha uma emoção humana: chora. É uma pequena cena, mas carrega uma pergunta simples: o que fazemos quando algo em nós, como a canoa, fica preso onde deveria fluir?


No oceano mar / Meu corpo navega / O barco carrega

O corpo aparece como algo que navega, carregado por algo maior que ele. Há aqui uma sugestão de que não se navega sozinho: algo conduz através do oceano da existência, e talvez o único trabalho seja deixar-se carregar sem resistência excessiva.


O sol e o céu azul / No mar a imensidão / No eu, a solidão

O poema segue uma progressão de escalas: do sol ao céu, do céu ao mar, do mar ao eu. Quanto maior a paisagem contemplada, mais nítida fica a solidão de quem observa. No zen, essa pequenez diante do imenso não é motivo de angústia. É lembrete de proporção.


Muda o cenário / Do alto campanário / Canta o canário

Um pequeno instante quase cômico em sua simplicidade. O cenário muda, e em meio à mudança, o canário simplesmente canta, sem se importar com o que está mudando ao redor. Há uma lição inteira de despreocupação nesses três versos curtos.


Água das sereias / Que antes navegava / Longe das areias

Um verso que flerta com o mito sem se prender a ele. A água que já esteve longe agora se aproxima da areia, e o poema não explica por quê. Deixa a imagem simplesmente acontecer, como a maré.


Assim foi feita / Sem uma receita / A flor perfeita

A ausência de receita não é falha, é justamente o que permite que cada flor, cada existência, seja única. Esse haicai é, talvez, a formulação mais direta de wabi-sabi em todo o livro: a perfeição que não seguiu fórmula nenhuma para chegar a ser exatamente o que é.

==================================================== PORTA 5 — NÃO-DUALIDADE Quando o eu e o outro deixam de se separar

O zen se formou na China, como Chan, bebendo diretamente do pensamento taoísta antes de atravessar para o Japão. Por isso não é estranho que o símbolo do Yin-Yang apareça nesta porta: os dois opostos do círculo não existem em conflito, nem somados um ao outro, mas em movimento eterno, cada um contendo já uma semente do outro. Essa é a mesma lógica que sustenta a não-dualidade zen, expressa mais tarde em outra língua, outra forma, mas a mesma percepção de fundo: as fronteiras que separam eu e outro, dentro e fora, eu e mundo, são menos sólidas do que parecem.

Ele encontra outro caminhante no meio da trilha. Nenhum dos dois fala. Seguem juntos por um trecho, depois se separam sem se despedir.


Um do outro / Eterno movimento / O complemento

Este haicai nasceu da imagem do Yin-Yang, e é uma das formulações mais precisas de não-dualidade que este livro reúne. Os dois lados do círculo não competem, não se anulam, não se resolvem em um terceiro elemento. Permanecem em movimento eterno, um definindo o outro pela própria diferença. A não-dualidade zen não apaga as diferenças; apenas revela que elas nunca estiveram, de fato, separadas.


Metade sou eu / O outro quero ser / Um só em mim

Há uma tensão interessante aqui: alguém que se percebe dividido entre quem é e quem deseja ser, sonhando em reunir as duas metades numa só pessoa. No zen, essa integração não significa eliminar uma das metades. Significa parar de tratá-las como inimigas.


Pelo que somos / Pesamos e medimos / O que vemos

O poema sugere que a percepção nunca é neutra: aquilo que somos molda o que conseguimos enxergar. Essa observação, silenciosa e quase técnica, é uma das portas de entrada mais diretas para a não-dualidade entre observador e observado, um dos temas centrais tanto do zen quanto de parte da física contemporânea.


Da razão à emoção / A descoberta de si / Conduz ao coração

O poema traça um trajeto que não separa razão de emoção como territórios opostos, mas como uma única estrada que atravessa os dois. A descoberta de si não escolhe entre pensar e sentir. Passa pelos dois até chegar a um lugar que já não é nenhum dos dois isoladamente.


Dois elementos / O pleno encontro / Em aquecimento

Uma fogueira nasce do encontro de dois elementos que, sozinhos, não seriam fogo, o atrito, o oxigênio, a madeira que cede. O haicai nasceu de uma imagem concreta e literal, mas guarda, sem forçar nada, o mesmo princípio do símbolo do Yin-Yang no poema anterior: dois não precisam deixar de ser dois para se tornarem, juntos, uma terceira coisa que nenhum dos dois seria sozinho. O calor não pertence a nenhum dos dois elementos isoladamente. Pertence ao encontro.

==================================================== PORTA 6 — O CAMINHO SEM CHEGADA (DŌ) A prática que nunca termina

Dō, o caractere que aparece em judô, aikidô, sadō (a cerimônia do chá), significa literalmente caminho. Não é uma trilha que termina num destino específico, mas uma prática contínua, na qual a chegada nunca é o ponto: o próprio caminhar já é o que se busca. Um mestre de tiro com arco não pratica para acertar o alvo uma vez. Pratica para que o gesto de atirar se torne, ele mesmo, completo.

Os haicais desta porta falam de estrada, jornada, peregrinação, mas nenhum deles descreve uma linha de chegada.

Ele já caminha há dias. A montanha não parece mais próxima do que estava ontem. Ele continua mesmo assim.


O reto caminho / O velho pergaminho / O leve peregrino

Três imagens de tradição e travessia. A leveza do peregrino é o detalhe mais importante: quem caminha muito aprende a carregar só o essencial, e essa é também uma lição do próprio dō. O progresso pede que se solte aquilo que pesa sem necessidade, para que a travessia continue possível.


Junte coragem / A vida é passagem / Na grande viagem

O poema define a vida como passagem dentro de uma viagem maior. Não é o destino final, é uma etapa. A coragem pedida no primeiro verso não é para enfrentar um fim, mas para atravessar bem essa etapa, sabendo que ela não é a última palavra.


Cada um seguiu / Por um caminho / Cada um sozinho

O zen não nega a companhia, mas reconhece que, no fundo, cada prática é intransferível. Ninguém pode se sentar em zazen por outra pessoa. Ninguém pode atravessar o próprio caminho por procuração.


Vamos todos nós / Na estrada fazendo / E desatando nós

O caminho, aqui, é também o lugar onde os nós, os apegos e as amarras, vão sendo desfeitos aos poucos, sem pressa e sem cerimônia. Fazer e desatar não são movimentos opostos. São o mesmo movimento, visto de dois ângulos.


Luz deve buscar / A vida um é moinho / Sempre a girar

A imagem do moinho, sempre girando, é uma boa metáfora para a prática contínua: não é um esforço que um dia termina, é um movimento que se sustenta girando. Buscar a luz não é chegar a ela de uma vez, é manter o moinho em movimento.


Por onde andei / Pedacinhos deixei / E também levei

A vida como sequência de marcas e aprendizados. Deixamos pedacinhos por onde passamos, e também levamos pedacinhos de cada lugar por onde passamos. O caminho nunca é feito só de partida.

==================================================== PORTA 7 — A MENTE DO PRINCIPIANTE Ver de novo o que já se viu mil vezes

Shunryu Suzuki, um dos mestres zen que mais influenciaram o Ocidente, resumiu talvez o conceito mais citado desta tradição numa única frase: na mente do principiante há muitas possibilidades, mas na mente do especialista há poucas. Quanto mais tempo se passa observando algo, mais fácil é parar de vê-lo de verdade, substituindo a percepção direta por categorias já conhecidas. A mente do principiante é o esforço contínuo de resistir a essa economia da atenção.

Ele já viu esse mesmo bambuzal centenas de vezes, em pinturas, em outros livros. Ainda assim, para diante dele como se fosse a primeira.


Quantas vezes / Realmente se vê / Até o anoitecer

A pergunta do poema não tem resposta fácil. Passamos o dia inteiro com os olhos abertos, mas quantas vezes, de fato, vemos o que está diante de nós? A mente do principiante começa exatamente aqui, nessa dúvida honesta.


Quantas já vi passar / Várias vezes desatento / Coisas de se sonhar

O poema confessa, sem se desculpar, a distração como parte da experiência comum. Não é uma crítica a si mesmo, é apenas o reconhecimento de que a atenção plena não é um estado permanente, é algo que se pratica de novo a cada vez que se percebe que ela havia escapado.


Sonhos ainda tenho / Em barquinhos de papel / Eu e meu gato fiel

Um haicai que preserva, sem nenhuma vergonha, o encantamento infantil por coisas simples: um barquinho de papel, um gato fiel. A mente do principiante não é sofisticada. É, muitas vezes, exatamente isso: a disposição de ainda se maravilhar com o que qualquer criança já sabia se maravilhar.


Assim me fazia / Quando meu mundo / Era só fantasia

Um retorno à infância, quando o mundo ainda não havia sido reduzido a categorias fixas. O poema não pede que se volte a ser criança. Apenas lembra que essa outra forma de ver já existiu, uma vez, dentro de quem lê.


Sabendo olhar / Poesia sempre há / Em todo lugar

Talvez o haicai mais importante desta porta. A poesia não está apenas no poema, está no modo como se olha. A mente do principiante é, no fundo, apenas isso: saber olhar de novo.

==================================================== PORTA 8 — SILÊNCIO O que o haicai não diz

Esta é a porta mais curta do livro, de propósito. Depois de sete portas de reflexão, resta pouco a acrescentar. O silêncio não é a ausência do que foi dito antes. É o que sobra depois que todas as palavras já foram gastas, e ainda assim algo continua ali, sem precisar de mais nenhuma delas.

Ele chega, finalmente, ao mosteiro. Não bate à porta. Senta-se do lado de fora, e o silêncio o recebe antes de qualquer monge.


A paz que quero / Sei onde encontrar / No meu silêncio

Depois de sete portas de busca, este haicai confirma o que talvez já estivesse implícito desde a primeira: a paz nunca esteve em nenhum lugar fora do próprio silêncio de quem procura. O caminho todo, olhando para trás, foi apenas o percurso até essa constatação simples.


Poesia é viver / Deixar a água correr / Dentro do ser

(sem comentário)

==================================================== EPÍLOGO Depois da porta, o mercado

Nas pinturas tradicionais que narram os dez estágios da busca zen, os chamados Dez Touros, a história não termina quando o buscador alcança a iluminação. Termina com ele descendo da montanha, de volta à cidade, de mãos abertas e vazias, entre pessoas comuns que nem sabem que ele esteve fora. O último quadro não mostra um monge sentado em silêncio eterno. Mostra alguém comprando peixe no mercado.

É por isso que o buscador deste livro não fica no mosteiro. Ele senta do lado de fora, o silêncio o recebe antes de qualquer monge, mas a porta, quando finalmente se abre, não é para que ele entre e desapareça. É para que ele volte a sair, agora carregando consigo algo que não estava lá quando ele chegou.

O que ele carrega não é resposta. Um dia acordamos e vemos que estivemos, o tempo todo, buscando dentro de nós o mesmo firmamento que julgávamos distante; que uma pedra, ao afundar, ensina mais sobre desaparecer do que qualquer explicação; que o sino que tocou na infância continua tocando, baixinho, sempre que alguém se lembra de si. Vimos duas coisas se tornarem uma só através do simples encontro, como o fogo, como o Yin-Yang, sem que isso exigisse deixarem de ser duas. Aprendemos, devagar, que uma flor não segue receita, e que talvez ninguém precise seguir.

Caminhamos sem saber ao certo se a montanha se aproximava, e descobrimos que isso nunca foi o ponto. Vimos o mesmo bambuzal de sempre como se fosse a primeira vez, e talvez essa tenha sido a lição mais difícil de todas: não que exista algo novo para ver, mas que os olhos podem, a qualquer momento, escolher ver de novo.

E no fim, depois de sete portas de busca, restou apenas isto: a paz que se procurava nunca esteve destino nenhum. Estava no silêncio de quem procurava.

Por isso este livro não termina com o buscador entrando no mosteiro. Termina com ele saindo outra vez, sem pressa, para o mesmo mundo de antes, carregando a única coisa que qualquer porta pode realmente oferecer: não uma resposta, mas um jeito diferente de olhar para as perguntas que já existiam, o tempo todo, bem diante dele.

A direção visual que vocês já validaram para o livro do Kardec, sumi-e contemporâneo, preto e branco, muito espaço vazio, funciona ainda melhor aqui, porque desta vez não é uma escolha estética aplicada de fora: sumi-e é, ele mesmo, uma prática zen. Pintar um bambu ou uma montanha em sumi-e exige o mesmo tipo de presença e economia que escrever um haicai. Os dois nasceram do mesmo lugar.

Alguns ajustes que eu proporia, específicos para este volume:

Cor. No livro do Kardec, o vermelho era usado como ponto de presença seletivo. Aqui, sugiro ir ainda mais longe: manter o vermelho apenas como um hanko, o selo de carimbo vermelho que os pintores e calígrafos japoneses tradicionalmente aplicam no canto de suas obras. Um único carimbo pequeno, sempre no mesmo lugar de cada página, funciona como assinatura e como o único toque de cor em todo o livro, sem nunca competir com a imagem.

O ensō como elemento estrutural. O ensō é o círculo pintado em um único gesto de pincel, símbolo zen do vazio, da totalidade e da imperfeição aceita, porque o círculo quase nunca fecha perfeitamente. Sugiro usar o ensō como elemento visual recorrente na abertura de cada uma das oito portas, talvez variando sutilmente de forma a cada capítulo, e culminando, na Porta 8, num ensō quase completo, mas ainda assim, propositalmente, não fechado de todo.

A figura do buscador. Como conversamos, ele aparece uma vez por porta, sempre discreto, quase se perdendo na paisagem. Sugiro que o design siga literalmente a sequência das oito frases-instantâneo que já escrevi abrindo cada porta: ele se aproxima do portão (Porta 1), depois de um jardim vazio (Porta 2), senta-se numa escadaria (Porta 3), encontra um jardim de pedras (Porta 4), cruza com outro caminhante (Porta 5), caminha sem ver a montanha se aproximar (Porta 6), contempla um bambuzal (Porta 7), e finalmente chega ao mosteiro, sentando-se do lado de fora antes mesmo de bater à porta (Porta 8). Cada imagem pode ser resolvida com o mínimo de traço possível, uma silhueta, nunca um rosto detalhado, preservando o anonimato que já vínhamos discutindo.

Papel e textura. Manter a textura delicada de papel de arroz que já foi validada, mas aqui eu aumentaria ainda mais a proporção de espaço vazio em cada página, mesmo em relação ao Kardec. Se naquele livro o vazio era estilo, neste ele é conteúdo: cada página branca a mais é, literalmente, uma pequena demonstração de mu.

Composição das paisagens. Seguindo o que vocês já mapearam como funcionando bem, barco em lagoa, pescadores lançando rede, ondas sem pessoas, montanhas nevadas com pássaros, cachoeira entre montanhas, sugiro reservar essas imagens especificamente para a Porta 4 (Natureza como mestra), e usar composições mais minimalistas, quase abstratas, um único galho, uma única pedra, um único círculo, para as portas mais conceituais como Mu e Silêncio. A imagem deveria ficar progressivamente mais esparsa conforme o livro avança em direção à Porta 8, no mesmo ritmo em que o buscador se aproxima da quietude.

Formato geral de produção. Sugiro manter exatamente o mesmo fluxo de trabalho que já validamos nos outros dois livros: uma página por haicai, o poema sozinho seguido da página de comentário (ou, nos casos sem comentário, apenas uma página em branco com o mínimo de composição visual, reforçando o silêncio em vez de preenchê-lo). A única mudança de produção que sugiro é dar mais tempo, proporcionalmente, às imagens da Porta 4 e da Porta 8, por serem as que mais dependem da imagem para comunicar o que o texto propositalmente não diz.

segunda-feira, 27 de julho de 2026

 

Visão geral do livro

Você encontra a obra na Amazon - amazon.com/author/robsoncogo

What if the true essence of Shōgun isn't found in its battles, political intrigue, or epic conflicts... but in the silence between them?

The Invisible Interval invites readers on a thoughtful journey through the acclaimed television adaptation of Shōgun, exploring the quiet moments that give the story its emotional and philosophical depth.

Blending literary criticism, Japanese aesthetics, and original haiku, author Robson Côgo offers a fresh perspective on the series, revealing how silence, impermanence, honor, and contemplation shape the journeys of Toranaga, Mariko, Blackthorne, and the world they inhabit.

More than a critical study, this book becomes a conversation with the spirit of the story itself. Through an imaginative literary device, the author even envisions an interview with James Clavell, creating a unique dialogue between the creator's legacy and the enduring themes that continue to captivate audiences decades later.

Inspired by the tradition of Matsuo Bashō and the philosophy of ichi-go ichi-e ("one time, one meeting"), The Invisible Interval uncovers the poetic heartbeat beneath an epic narrative. Each chapter invites readers to slow down, look beyond the obvious, and discover meaning in the spaces where words give way to silence.

Whether you're a devoted fan of Shōgun, fascinated by Japanese culture, or simply drawn to thoughtful literary exploration, this book offers a new way to experience one of the most compelling stories ever told.

Some stories entertain.

Others transform the way we see.

The Invisible Interval invites you to discover the difference.

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Disclaimer: This is an independent work of literary criticism and interpretation. It is not affiliated with, authorized by, or endorsed by James Clavell's estate, the producers of the Shōgun television series, or any rights holders

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segunda-feira, 22 de junho de 2026

O Intervalo Invisível

 


E se a essência de Xógum estivesse nos silêncios?


Em O Intervalo Invisível, reúno reflexões e haicais escritos ao longo de mais de uma década para dialogar com os temas de Xógum: tempo, destino, honra, perda, transformação e contemplação.

Mais do que uma análise da obra, este livro é um convite para enxergar a beleza dos intervalos invisíveis que existem entre os grandes acontecimentos da vida.

Você encontra a obra na Amazon -  amazon.com/author/robsoncogo

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Porta retrato em acrílico cristal

 


Porta retrato em acrílico cristal 2/15mm , tamanho externo 11,5 cm x 15,3 cm com cartão poético (Haicai), em papel couchê que pode ser vendido em separado, produzido pela @akryl.br 

Com cartão poético R$ 130,00

Sem cartão poético R$ 120,00

domingo, 23 de novembro de 2025

Ecobags bordadas

Ecobags bordadas com haicais autorais de Robson Cogo

Sacolas de lona de algodão reciclado, bordadas com poesia Haicai, 38 x 38 cm com alças e zipper R$ 80,00
Cor natural, sustentável, ecológica




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terça-feira, 22 de abril de 2025

Haicai - Linha e agulha

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                       Linha e agulha  🪡 
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                          Somos feitos de nós
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                   Água e fagulha
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  Uma Leitura do Haicai de Robson Côgo por Chatgpt 

Linha e agulha
Somos feitos de nós
Água e fagulha

Há poemas que se impõem pelo excesso. Outros, pela precisão do silêncio. O haicai de Robson Côgo pertence à segunda linhagem: a da palavra exata, do instante revelado, da imagem que pulsa mais do que explica. Em apenas três versos, o poeta tece uma tapeçaria simbólica do ser, unindo elementos do cotidiano com reflexões profundas sobre a identidade e a condição humana.

O poema se inicia com “linha e agulha” — objetos simples, domésticos, mas impregnados de memória e gesto. É com eles que se costura, se repara, se une. São também metáforas do ato poético: a agulha fura, a linha reconcilia. Essa imagem inicial ressoa a sensibilidade de Cecília Meireles, que via a vida como um tecido feito de tempo, silêncio e espera.

O segundo verso, “somos feitos de nós”, é o eixo filosófico do haicai. O jogo de linguagem entre “nós” (laços) e “nós” (sujeitos coletivos) abre múltiplas leituras. Há aqui um duplo sentido que lembra o desdobramento das vozes de Fernando Pessoa, especialmente sua habilidade em brincar com identidades sobrepostas. Somos feitos de amarras afetivas, de memórias que se apertam ao redor da alma. Os nós, aqui, tanto prendem quanto definem.

O último verso — “água e fagulha” — apresenta um paradoxo vibrante. A água apaga o fogo, a fagulha desafia a fluidez. São elementos opostos, mas não necessariamente em guerra. Na poética de Carlos Drummond de Andrade, também vemos essa convivência tensa entre o duro e o fluido, o fogo do desejo e a água da lembrança. Robson Côgo insinua que somos feitos, também, dessa contradição vital: a fagulha do instante, o fluxo do tempo.

À maneira de um tear simbólico, o haicai costura três mundos: o da matéria (linha e agulha), o da existência (os nós), e o da alma (água e fagulha). O resultado é uma miniatura de vastidão — uma forma breve que contém o infinito.

Se lido à luz da tradição do haicai japonês, o poema preserva o essencial: a imagem concreta, a sugestão do instante, a presença do efêmero. Mas também dialoga com a poesia ocidental em sua vertente mais introspectiva e simbólica. É um haicai que não apenas observa o mundo, mas mergulha no humano.

Na leitura metafórica, esse poema é um relicário. A “linha” é o fio da memória, a “agulha” a dor que nos atravessa. Os “nós” são o entrelaçamento de tudo aquilo que nos constitui — encontros, perdas, escolhas. “Água e fagulha” se tornam o retrato da alma: líquida, flamejante, às vezes em harmonia, às vezes em colisão.

Por fim, numa chave lírica, pode-se dizer que Robson Côgo não escreve apenas um haicai — ele revela uma essência. Entre gestos e contrários, entre os laços que apertam e as fagulhas que iluminam, o poeta nos mostra o que talvez sejamos: seres costurados com o invisível.





segunda-feira, 11 de março de 2024

Haicai Brasil - Uma aventura poética

Eleve a sua #vibração com a #poesia da série Haicai Brasil disponível na Amazon.

São nove volumes do Haicai Brasil + o Haicai Brasil - Poesia para crianças, Haicai Brasil - espiritualidade em cinco volumes, e o inédito Waki Brasil; No total temos por volta de 700 poemas, e teve a contribuição dedicada e paciente de minha filha Juliana na revisão e orientação dos e-books a quem sou muito grato. 👉 Este é o resultado de mais de 10 anos escrevendo #haicais, e me sinto feliz em entregar toda essa obra poética a todos vocês. Desejo que conheçam e apreciem, as mensagens tem a intenção de nos ligar ao belo, ao eterno, aos princípios do bem e do bom viver. 🙏 Além dos e-books estou produzindo Cartões Poéticos, muitos já postados nesse perfil, são cartões adequados a serem presenteados. Nesse mundo digital perdemos o hábito de mandar cartões em papel, e como é legal receber um presente assim. Para entidades beneficentes, empresas e compras em quantidade podemos oferecer um bom desconto, assim as entidades filantrópicas podem revender e usar o lucro em suas obras. 🙏 Mude a rotação 🙏 Da reclamação 🙏 Para a gratidão #haicai - Robson Côgo

📔About the author Robson is a haiku poet born in Colatina, Espírito Santo. His expressive contribution to contemporary Brazilian poetry is marked by his unique ability to capture the essence of moments in a few words, in accordance with the essence of haiku.

Clique no link

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

LANÇAMENTO dia 19/02 Poesia Haicai para crianças na minha loja Amazon


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terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

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terça-feira, 16 de janeiro de 2024

Novo e-book Haicai Brasil Vol. lV

Esse é o novo e-book Haicai Brasil Vol IV, em tempo de sombras venho falar de luz, de amor e alto astral na forma poética do #haicai. 

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São haicais assim que vc vai encontrar nesse volume





sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

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quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

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Aos amigos e amigas 

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quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

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